A composição política do deputado federal Capitão Alberto Neto colocou o debate eleitoral do Amazonas no centro de intensas controvérsias. A confirmação do empresário Alexandre Bronze como seu suplente gerou forte reação de setores econômicos e da população de Manaus, reacendendo questionamentos sobre a gestão do acesso ao Porto de Manaus, a atuação de lobistas no setor público e a destinação de emendas parlamentares do deputado.
Alexandre Bronze é figura central na exploração dos serviços portuários da capital amazonense. Comerciantes, passageiros e trabalhadores que dependem do modal hidroviário denunciam constantemente a cobrança de tarifas consideradas exorbitantes para a circulação de mercadorias e o acesso aos atracadouros. A prática é apontada por críticos como uma exploração direta do orçamento das famílias e empresários locais, que não possuem alternativas de transporte na região. Somado ao desgaste com as tarifas, o nome do empresário consta em apurações da Polícia Federal que investigam esquemas de lobby e possíveis irregularidades na concessão e operação portuária.
A aliança com um perfil investigado ampliou a pressão sobre o mandato de Alberto Neto, que já enfrentava desgaste político devido à aplicação de seus recursos parlamentares. Levantamentos apontam que o deputado direcionou montantes expressivos de emendas orçamentárias para municípios fora do estado do Amazonas, incluindo projetos voltados à carcinicultura (criação de camarões) na região Nordeste do país. A destinação de verbas federais para fora da divisa estadual é criticada por eleitores que cobram a aplicação prioritária dos recursos na saúde, segurança e infraestrutura dos municípios amazonenses.
A junção da influência política de Alberto Neto com o poder econômico do setor portuário sob a figura de Alexandre Bronze consolida um cenário de forte escrutínio público, onde a população questiona o uso da máquina política em favor de interesses privados e a transferência de capital público para fora do Amazonas.
